Prótese Total da Anca
O que é a
Prótese Total da Anca?
Uma Prótese Total da Anca é um dispositivo implantável, que compreende dois componentes fixos e dois amovíveis.
Estes quatro componentes pretendem substituir a função de toda a articulação da anca, tanto em termos de tamanho e orientação dos segmentos ósseos como em termos da suavidade da superfície cartilagínea.
Os componentes fixos são habitualmente não cimentados, significando que têm de passar por um processo de osteointegração.
Segue-se um período de 4 a 6 semanas do processo biológico de osteointegração, ou seja, de desenvolvimento de pontes / “raízes” ósseas entre os dois componentes fixos e o osso do paciente.

Componentes habituais de uma prótese total da anca
Para que serve a
Prótese Total da Anca?
A Prótese total da anca serve para substituir a articulação da anca, sempre que esta se torna inviável para a sua função.
A causa mais frequente da sua indicação é a artrose da anca, ou seja, a perda progressiva de cartilagem que reveste a cabeça do fémur e a superfície acetabular.
Passa a haver um contacto direto de osso contra osso o que se traduz numa dor incapacitante, de instalação progressiva, que frequentemente irradia até ao joelho. Esta condição é acompanhada frequentemente de perda progressiva do arco de movimento desta articulação.
O doente queixa-se de dificuldade em entrar ou sair do carro e em chegar com a mão ao pé para colocar o sapato ou a meia. Uma simples caminhada de curta distância pode tornar-se incapacitante.
Condições tratadas pela Prótese Total da Anca
A prótese total da anca é utilizada maioritariamente para tratar condições que cursam com desgaste progressivo da cartilagem que reveste a cabeça do fémur e acetábulo, a artrose da anca.
Pode, também, ser usada em situações que comprometem a chegada de sangue ao interior da cabeça do fémur, a necrose avascular da cabeça do fémur.
O desgaste da cartilagem acontece habitualmente associado a anomalias na morfologia da anca (conflito femoro-acetabular) ou instabilidade entre as duas superfícies (displasia).
No conflito femoro-acetabular a anomalia da forma é responsável por um aumento da pressão de contato sob a cartilagem levando a um desgaste acelerado e prematuro da articulação. Esta condição pode ser tratada por artroscopia (link para a artroscopia) evitando o desgaste que culmina na artrose.
A inflamação articular crónica que ocorre em pacientes com patologia reumática é também uma das causas de agressão progressiva da cartilagem e da necessidade de uma prótese da anca.

A necrose avascular é uma condição que resulta da interrupção da chegada de sangue à cabeça do fémur.
Quando ocorre de forma espontânea, a sua causa primária é frequentemente desconhecida mas há vários fatores de risco que podem estar associados: terapia prolongada com corticoides, alcoolismo crónico, tabagismo, tratamentos da área oncológica, ambientes prolongados de pressão elevado (ex. mergulhadores), diabetes, HIV, lúpus eritematoso sistémico ou doenças hematológicas.
A necrose avascular de causa traumática, está frequentemente associada a fraturas de colo de fémur descoaptadas.

Benefícios da Prótese Total da Anca
A prótese total da Anca é uma cirurgia transformadora em termos de devolução da qualidade de vida a indivíduos que precocemente se encontram limitados por dor e restrição de movimento.
Após a cirurgia o paciente experimenta um alívio progressivo dos sintomas, retomando em poucas semanas atividades de vida diária para as quais estava incapacitado.
A possibilidade de voltar a caminhar sem dor é um dos primeiros benefícios reportados pelo paciente.
O paciente após a recuperação plena da cirurgia, pode inclusivamente retomar atividades desportivas de acordo com as recomendações do cirurgião.
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Como é realizado o procedimento
Pode ser realizado sob anestesia geral ou loco-regional, de acordo com a preferência da equipa cirúrgico-anestésica e respetivo ajuste à condição médica do paciente.
A via de abordagem utilizada para aceder à articulação, depende da opção do cirurgião e pode ser posterior, lateral, antero-lateral ou anterior. A cada uma associam-se vantagens e inconvenientes (ver riscos e complicações associadas).
Osteotomia do colo do fémur
O procedimento consiste numa osteotomia (secção) do colo do fémur, que é removido em conjunto com a cabeça, sendo assim retirado o segmento femoral com a cartilagem gasta.
Preparação do acetábulo
Inicialmente é feita a preparação da superfície do acetábulo, através da remoção da cartilagem remanescente nesta região e é aplicada a cúpula acetabular sob pressão (press-fit).
Preparação do canal femoral
Segue-se a preparação do canal femoral para implantar a haste e é definida a dimensão da cabeça femoral de modo a garantir o restabelecimento do comprimento e estabilidade ideais ao paciente.
Recuperação e
cuidados pós-operatórios
O doente no pós-operatório inicia marcha de forma imediata com canadianas.
No internamento pretende-se que o paciente adquira, em conjunto com o Fisioterapeuta hospitalar, a sua independência em atividades de vida diária como: entrar e sair da cama, sentar e levantar da cadeira, higiene pessoal, marcha e subir/descer escadas.
Este período é variável de acordo com a capacidade do paciente nas referidas atividades (48 e 72h).
O objetivo das canadianas é proteger os implantes, para uma osteointegração segura. Este processo pode demorar cerca de 4 a 6 semanas que corresponde ao período de risco de afundamento/movimentação dos implantes recém colocados.

Perguntas Frequentes
Todo o procedimento cirúrgico tem os chamados riscos gerais e riscos específicos. As complicações específicas deste procedimento, variáveis de acordo com a via, incluem: trombose venosa vs tromboembolia pulmonar, infeção, luxação da prótese, dor trocatérica, lesão muscular, lesão de nervo (ciático, femoro-cutâneo lateral, glúteo superior) e falência do implante.
O desgaste precoce das superfícies articulares é considerado uma complicação, que resulta não apenas da qualidade do implante como também de um incorreto posicionamento dos mesmos. Durabilidades de 20 a 25 anos do implante primário, sem necessidade de revisão (link para revisão), é o principal indicador de sucesso deste procedimento.
A qualidade dos materiais utilizados para o fabrico dos implantes, particularmente no que se refere à capacidade de integração óssea nas superfícies dos componentes fixos e na capacidade de diminuição do desgaste nas superfícies de contacto dos componentes móveis, apresentam uma melhoria significativa ao longo dos anos.
A cirurgia robótica surge hoje como um advento para auxiliar o cirurgião na otimização do ideal posicionamento da prótese total da anca. A experiência do cirurgião permite ajustar o posicionamento de acordo com a interpretação da anatomia individual. O apoio com cirurgia robótica permite não apenas definir essa posição como também contribuir para um maior rigor no momento de implantar a prótese. Pretende-se com esta tecnologia não substituir o cirurgião no seu ato mas contribuir para melhorar o desempenho de cirurgiões menos experientes e ajudar a confirmar a decisão final em cirurgiões experientes.
Cada paciente apresenta as suas características individuais que se traduzem em variação do tamanho e até certo ponto da forma do implante para reprodução da morfologia da articulação original. A planificação digital prévia é uma importante ferramenta para prever o tamanho e tipo de componentes a utilizar.
A tridimensionalidade da anca, implica relacionar o fémur proximal com todo o restante membro inferior e a cavidade acetabular com toda a dinâmica da funcionalidade entre a bacia e a coluna lombar.
A compreensão de como cada prótese irá funcionar em cada indivíduo é fundamental para garantir a maior longevidade possível (20 a 25 anos) e diminuição de complicações associadas.
A Prótese Total da Anca está indicada sempre que o doente desenvolve uma incapacidade funcional desta articulação, que resulta habitualmente numa perda progressiva da cartilagem articular.
O paciente submetido a uma prótese da anca, experiencia um alívio rápido dos sintomas dolorosos, aumenta de forma progressiva a mobilidade e retoma níveis de atividade idênticos àqueles que tinha antes de desenvolver esta condição.
O tempo médio de recuperação da Prótese Total da Anca é o tempo necessário para os implantes fazerem a sua osteointegração no osso do paciente. Este período pode ter uma duração média de 4 a 6 semanas, após as quais o paciente pode retomar as atividades sem limitação.

